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Segurança e conformidade

Anamnese odontológica: o que perguntar, com modelo pronto

Um Sim sem detalhe não serve. As perguntas que mudam a conduta, o porquê clínico de cada uma, um modelo completo para copiar e como manter a ficha em dia a cada retorno.

Atualizado em setembro de 2026

A paciente marcou Sim em "usa algum medicamento de uso contínuo?", ninguém perguntou qual, e a ficha foi para a gaveta. Três meses depois, na hora da extração, ela comenta que toma um remédio para afinar o sangue desde a cirurgia do coração. O Sim estava ali o tempo todo. Faltou a pergunta seguinte.

Resposta rápida

A anamnese odontológica precisa responder a quatro coisas antes do atendimento: que remédios o paciente usa e em que dose, a que ele tem alergia, que doenças mudam a conduta (pressão, diabetes, coração, sangramento, gestação, câncer) e qual é a queixa que o trouxe. Toda resposta Sim precisa vir com o detalhe, a ficha precisa ser revisada pelo dentista antes de começar e atualizada a cada retorno, sem apagar a versão anterior.

Paciente sentada na sala de espera de um consultório odontológico responde a anamnese no próprio celular antes de ser chamada
Respondida na sala de espera, com calma, e não na cadeira de boca aberta.

O que é a anamnese odontológica e por que ela é obrigatória?

Anamnese é a entrevista sobre a saúde do paciente feita antes do exame e do tratamento: doenças, remédios, alergias, hábitos e o motivo da consulta. Na odontologia ela é parte do prontuário, e o prontuário é obrigação ética. O Código de Ética Odontológica (Resolução CFO-118/2012, artigo 17) manda elaborar e manter o prontuário legível e atualizado, com os dados clínicos necessários para a boa condução do caso.

Na prática, a anamnese serve a duas pessoas. Ao paciente, porque evita a reação alérgica, o sangramento e a interação de remédio que eram previsíveis. Ao dentista, porque é o registro do que ele sabia no dia do atendimento, e é esse registro que conta se algum dia houver questionamento.

Quais perguntas não podem faltar?

São as que mudam a conduta. A tabela resume o motivo clínico de cada uma, como orientação geral: a decisão sobre o caso é sempre do dentista, e muitas vezes em conjunto com o médico do paciente.

Usa algum medicamento de uso contínuo? Qual e em que dose?

Por que importa
Anticoagulantes e antiagregantes aumentam o sangramento em extração e cirurgia. Bisfosfonatos e outros antirreabsortivos elevam o risco de osteonecrose dos maxilares depois de procedimento invasivo. E todo remédio contínuo entra na conta de interação com o que o dentista vai prescrever.

Tem alguma alergia? A quê?

Por que importa
Penicilina, anti-inflamatório, AAS, látex e anestésico local são as que mudam a conduta: definem o antibiótico, o analgésico e até a luva.

Já teve reação ao receber anestesia?

Por que importa
Separar reação de verdade de mal-estar ou susto muda a escolha do anestésico e a forma de conduzir a consulta.

Tem pressão alta?

Por que importa
Pede aferição da pressão antes do procedimento e cuidado na escolha do anestésico com vasoconstritor.

Tem diabetes?

Por que importa
Interfere na cicatrização e no risco de infecção. O horário da consulta e a alimentação antes dela ajudam a evitar hipoglicemia na cadeira.

Tem problema no coração? Válvula, prótese valvar, já teve endocardite?

Por que importa
Alguns desses casos pedem profilaxia antibiótica antes de procedimentos com sangramento, decidida com o médico que acompanha o paciente.

Já teve sangramento difícil de parar ou alguma alteração no sangue?

Por que importa
Sinaliza risco de hemorragia mesmo em quem não toma anticoagulante.

Está grávida ou amamentando?

Por que importa
Muda o momento ideal do tratamento, o uso de radiografia e a escolha de medicamentos.

Já fez tratamento de câncer, principalmente radioterapia na cabeça ou no pescoço?

Por que importa
A radioterapia na região aumenta o risco de complicação em extração, e o planejamento precisa levar isso em conta.

Fuma? Range os dentes?

Por que importa
Fumo atrasa a cicatrização e pesa em implante e em doença periodontal. Bruxismo muda o planejamento de restauração e prótese.

Por que um Sim sem detalhe não serve?

Porque o Sim só diz que existe algo a saber. "Tem alergia? Sim" não diz se é a penicilina que você ia receitar ou a poeira de casa. "Usa medicamento? Sim" não diz se é um anticoagulante ou uma vitamina. A ficha que para no Sim obriga o dentista a lembrar de perguntar de novo, e é exatamente esse lembrete que falha no dia corrido.

A regra simples é: toda pergunta que pode mudar a conduta leva um campo "qual?" logo abaixo, que aparece quando o paciente marca Sim. O campo pode ser opcional, porque às vezes o paciente não lembra o nome do remédio, mas precisa estar ali para ser preenchido.

O caminho de um Sim

  1. 1

    A pergunta

    Usa algum medicamento de uso contínuo?

  2. 2

    O Sim com detalhe

    Sim. Qual? Varfarina, 5 mg por dia.

  3. 3

    O alerta na ficha

    O dado aparece no topo, antes de qualquer outra coisa.

  4. 4

    A conduta

    O dentista planeja a extração sabendo do anticoagulante.

Modelo de ficha de anamnese odontológica para copiar

O modelo abaixo cobre a clínica geral. Copie, ajuste à sua especialidade e use no papel ou no sistema. Nas perguntas de saúde, as opções são Sim, Não e Não sei, e todo Sim abre o "qual?".

1. Identificação

  • Nome completo e data de nascimento
  • Telefone e contato para emergência
  • Médico que acompanha, se houver
  • Responsável legal, se for menor de idade

2. Motivo da consulta

  • O que trouxe você aqui hoje? (queixa principal)
  • Sente dor nos dentes ou na boca? Onde e desde quando?

3. Saúde geral (Sim / Não / Não sei, e qual)

  • Está em tratamento médico? Qual?
  • Tem pressão alta?
  • Tem diabetes?
  • Tem problema no coração, válvula ou prótese valvar? Já teve endocardite?
  • Tem asma ou outra doença respiratória?
  • Tem problema no fígado ou nos rins?
  • Já teve sangramento difícil de parar ou alguma alteração no sangue?
  • Tem alguma alteração nos ossos? Faz ou fez tratamento para osteoporose?
  • Já teve câncer? Fez radioterapia ou quimioterapia?
  • Tem alguma doença transmissível? (HIV, hepatite, outra)
  • Já foi internado ou fez cirurgia? Quando e por quê?
  • Tem ou teve depressão, ansiedade ou outro acompanhamento psicológico?

4. Medicamentos e alergias

  • Usa algum medicamento de uso contínuo? Qual e em que dose?
  • Tem alguma alergia? A quê? (penicilina, anti-inflamatório, AAS, látex, outra)
  • Já teve alguma reação ao receber anestesia?

5. Para pacientes mulheres

  • Está grávida? De quantas semanas?
  • Está amamentando?

6. Hábitos

  • Fuma? Quanto por dia?
  • Bebe álcool com frequência?
  • Range ou aperta os dentes?
  • Quantas vezes por dia escova os dentes? Usa fio dental?

7. Histórico odontológico

  • Quando foi a última consulta com dentista?
  • A gengiva sangra ao escovar?
  • Tem sensibilidade ao frio ou ao quente?
  • Já teve alguma experiência ruim no dentista? Tem medo?

8. Preenchido pelo dentista

  • Pressão arterial
  • Frequência cardíaca
  • Observações da revisão com o paciente

9. Declaração

  • Declaro que as informações acima são verdadeiras e que vou avisar o consultório se alguma mudar.
  • Data e assinatura do paciente ou do responsável
Dica

Não sei não é Não

Deixe a opção Não sei no formulário e trate cada uma como pergunta em aberto. Quando a dúvida pode mudar a conduta, peça o nome do remédio, a receita ou um contato com o médico antes do procedimento.

Papel na recepção ou link antes da consulta?

Os dois funcionam, desde que o paciente responda com calma e o dentista revise. A diferença está no que cada um facilita:

Quando responde

Papel na recepção
Nos minutos antes de ser chamado
Link antes da consulta
Em casa, no dia que quiser

Nome do remédio

Papel na recepção
Muitas vezes esquecido
Link antes da consulta
Dá para pegar a caixa e copiar

Letra

Papel na recepção
Depende de quem escreve
Link antes da consulta
Sempre legível

Atualização

Papel na recepção
Folha nova ou rasura na antiga
Link antes da consulta
Versão nova, a antiga fica guardada

Guarda

Papel na recepção
Arquivo físico por 20 anos
Link antes da consulta
Junto do prontuário digital

Quando atualizar a anamnese?

  • A cada retorno depois de um intervalo longo, como na consulta de revisão.
  • Antes de qualquer procedimento invasivo, mesmo que a última seja recente.
  • Sempre que o paciente contar que mudou algo: remédio novo, cirurgia, gestação, diagnóstico.

A versão antiga não se apaga. Ela mostra o que o dentista sabia no dia de cada atendimento, e é isso que protege os dois lados. Os prazos de guarda do prontuário, que valem também para a anamnese, estão no guia sobre prontuário, consentimento e atestado.

Atenção

Anamnese é dado de saúde

Pela LGPD (Lei 13.709/2018), informação de saúde é dado pessoal sensível. A ficha não pode ficar exposta no balcão nem circular por WhatsApp pessoal da equipe, e só quem atende o paciente deve ter acesso a ela.

Como implantar em 4 passos

  1. Escolha o modelo e ajuste à sua prática. Comece pelo modelo acima e tire ou acrescente o que faz sentido para a sua especialidade. Quem faz implante, por exemplo, precisa ser mais detalhista em osteoporose e fumo.
  2. Decida quando o paciente responde. Antes da consulta, por um link no celular, ou na recepção, no papel ou num tablet. O importante é que ele responda com calma, e não na cadeira, de boca aberta.
  3. Revise antes de sentar o paciente. Leia todos os Sim e os detalhes. Pergunte o que ficou vago, confirme o nome dos remédios e anote os sinais vitais.
  4. Atualize a cada retorno, sem apagar a anterior. Uma pergunta basta para abrir: mudou alguma coisa na sua saúde desde a última vez? Se mudou, uma nova versão com a data de hoje.

Como o Smileo faz a anamnese

  • Modelo pronto para começar, que a clínica edita em Configurações, com perguntas de Sim, Não e Não sei, e perguntas abertas.
  • Detalhe no Sim. Em cada pergunta dá para ligar "pedir detalhe quando marcar Sim" e escrever o que perguntar, como "qual medicamento?". O campo só aparece no Sim.
  • Link pelo WhatsApp. A clínica manda o link com um clique, o paciente responde no celular sem instalar nada, e a resposta entra direto na ficha. Também dá para preencher na própria clínica.
  • Alertas clínicos em destaque. As respostas que pedem atenção, como alergia e medicamento, aparecem separadas no topo, antes do resto da ficha.
  • Versões guardadas. Cada nova anamnese vira uma versão com data, e as anteriores continuam abrindo.

O envio do link usa o mesmo WhatsApp da confirmação de consulta, explicado no guia de confirmação de consulta por WhatsApp. E para quem atende sozinho, o que o sistema inclui está na página do dentista autônomo.

Perguntas frequentes

A anamnese odontológica é obrigatória?

Sim. A anamnese faz parte do prontuário, e o Código de Ética Odontológica (Resolução CFO-118/2012, artigo 17) obriga o cirurgião-dentista a elaborar e manter o prontuário legível e atualizado, com os dados clínicos necessários para a boa condução do caso. Sem a história de saúde do paciente, o prontuário fica incompleto justamente na parte que protege o paciente e o profissional.

Quem preenche a anamnese, o paciente ou o dentista?

O paciente responde, ou o responsável legal no caso de menor de idade, e o dentista revisa antes de começar o atendimento. A revisão é a parte que não pode ser pulada: é nela que o dentista pergunta o que ficou vago, confirma os detalhes de cada resposta Sim e anota os sinais vitais que ele mesmo mediu.

De quanto em quanto tempo a anamnese deve ser atualizada?

A cada retorno depois de um intervalo longo, antes de qualquer procedimento invasivo e sempre que o paciente contar que mudou algo: remédio novo, cirurgia, gestação, diagnóstico. A versão antiga não deve ser apagada. O ideal é guardar cada versão com a data em que foi respondida, porque é ela que mostra o que o dentista sabia no dia do atendimento.

Anamnese digital tem o mesmo valor que a de papel?

Pode ter, desde que o registro seja confiável. A Lei 13.787/2018 trata da guarda do prontuário em meio digital, e o que dá valor à ficha é conseguir provar quem respondeu, quando respondeu e que o conteúdo não foi alterado depois. Um sistema que guarda cada versão com data e registra quem acessou cumpre esse papel melhor do que uma folha solta no arquivo.

O que fazer quando o paciente marca Não sei?

Tratar como uma pergunta em aberto, não como um Não. O dentista conversa na cadeira, e quando a dúvida pode mudar a conduta, como uso de anticoagulante ou problema cardíaco, o caminho é pedir o nome do remédio, a receita ou um contato com o médico que acompanha o paciente antes do procedimento.

Paciente com doença transmissível precisa ser atendido de outro jeito?

A biossegurança é a mesma para todos os pacientes, porque ninguém sabe tudo sobre a própria saúde. A pergunta existe na anamnese para a condução clínica do caso, como interação de medicamentos e cicatrização, e a resposta é dado de saúde sigiloso, que só quem atende deve ver.

Em resumo

O essencial em uma frase

Uma boa anamnese pergunta o que muda a conduta, exige o detalhe de cada Sim, passa pelos olhos do dentista antes do atendimento e ganha uma versão nova a cada retorno.

A anamnese respondida antes de o paciente sentar

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